Quando Ed (Patrick Wilson) e
Lorraine Warren (Vera Farmiga) deixam sua casa durante um fim de semana, a
filha do casal, a pequena Judy Warren (McKenna Grace), é deixada aos cuidados
de sua babá (Madison Iseman). Mas as duas entram em perigo quando a maligna
boneca Annabelle, aproveitando que os investigadores paranormais estão fora de
jogo, anima os letais e aterrorizantes objetos contidos na Sala dos Artefatos
dos Warren. Para que tudo de ruim aconteça em um filme com Annabelle, é óbvio
que ela precisaria estar livre, leve e solta, tomando conta do terreno. As
habilidades de Annabelle não são suficientes para assustar.
A busca da boneca Annabelle
pelos Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga), um acidente na estrada e a
influência da boneca sobre os espíritos dos mortos, toda a trama se desenrola
como um longo e único ato dentro de uma casa mal-assombrada. O mal de Annabelle
é liberado por motivos que, se aparentemente estapafúrdios de início, são
suficientemente justificados logo em seguida, subvertendo parte das expectativas
por trazer alguma profundidade emocional à ocasião. Conforme a filha dos
Warren, Judy (McKenna Grace), sua babá Mary Ellen (Madison Iseman) e a amiga
Daniela (Katie Sarife) enfrentam os espíritos influenciados pela boneca, outros
pequenos arcos são resgatados e incorporados, como o do crush Bob (Michael
Cimino), alívio cômico da vez.
Annabelle 3: De Volta para
Casa tenta comete falhas grotescas de narrativa que, por vezes, trazem riso ao
invés da usual revolta. Isso, no entanto, não o transforma em um desastre. Promete
susto, com aparições repentinas que vem acompanhadas de sons acentuados. Já na
casa dos Warren, cria-se tensão através do silêncio conforme a babá e sua amiga
caminham pelos cômodos, e no fim destes silêncios há… mais silêncio. Quando há
algum susto, este vem em um momento inesperado e conquistado. Em sua estreia
como diretor, Dauberman não exibe um desempenho extravagante, mas mostra
talento em seu comedimento, sem querer sempre emular a câmera flutuante de
James Wan e focando na composição cuidadosa dos quadros a fim de valorizar os
pequenos espaços da casa.
O conceito de Annabelle ser um
“conduíte para espíritos malignos” é manifestado através das assombrações. Annabelle
3 é facilmente o capítulo mais sóbrio, com atenção especial para construir a
atmosfera do medo sem necessariamente “vingá-la” com um susto. A sala de
relíquias dos Warren é um prato cheio. Mesmo com ritmo e muita criatividade nos
ataques sombrios, o filme não se livra do peso de ser uma adição tardia à
franquia. Sua originalidade é um verdadeiro refresco aos fãs calejados, e é
sempre bom ver a dupla de Patrick Wilson (Ed Warren) e Vera Farmiga (Lorraine
Warren) novamente, mas é difícil não perceber a mesma estrutura formulaica que
fez A Freira e A Chorona serem mesmice preguiçosa, levantando dúvidas sobre
quanto fôlego ainda há nisso tudo.
As atuações, principalmente de
Mckenna Grace, como Judy Warren, são bem convincentes e retratam justamente
aquilo que falamos: motivação. Primeiro spin-off após Invocação do Mal. Aqui, o
casal de demonologistas Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), Annabelle trás o clichezão de carro enguiçando, fumaça,
cemitério e ver pessoas mortas começa. Sem mencionar o fato de que Judy
"herdou" os "poderes" de sua mãe, notadamente paranormal e
sensitiva. Annabelle 3: De Volta para Casa entretém, mas não empolga, nem muito
menos assusta. Isso, em se tratando de um filme de terror, é bem perigoso e,
nesse caso, não é bom. O aspecto sombrio da menina e sua maturidade logo
transparecem que as experiências que ela deve ter vivido graças à profissão dos
pais a afetaram diretamente, não apenas na personalidade, mas também no seu
cotidiano.
Data de lançamento 27 de junho de 2019 (1h 46min)
Direção: Gary Dauberman
Elenco: Vera Farmiga, Mckenna Grace, Patrick Wilson mais
Gênero Terror
Nacionalidade EUA









































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